Eu com feqüência frequência pensei a respeito do gosto por música erudita. Existe uma variedade tão grande de estilos e temas em séculos de composições, que me parece um pouco arbitrário descartá-la. Digo, por algo a pessoa há de se interessar, seja pelos amores trágicos, seja pelos canhões de Tchaikovsky. E, bem, ainda considerando o assunto, perguntei-me o que poderia ter instalado na minha pessoa o fraco por este tipo de música. Na minha adolescência, eu passava a farda do colégio ouvindo a Brasília Super Rádio, ouvia Carmen, de Bizet, no walkman (no ônibus) e pensava que o meu sonho seria realizado colocando música erudita no rádio do carro, quando dirigisse um, em alto volume e de vidros abertos. (Não o fiz, anos depois.) No entanto, de onde veio isso se na minha casa só se ouvia música popular? Eis que ontem estava eu estudando Patologia ao som de Maria Callas quando, depois de ter ouvido este mesmo CD muitas vezes (La Divina, 1993), algo chamou a minha atenção. Foi a ária "O Mio Babbino Caro" (que pode ser ouvida, cantada por Mariazinha, aqui). Depois de alguma investigação, encontrei a fonte de onde eu conhecia tanto a mencionada ária.
Parte 2
Parte 3
"Que Patinadora, Charlie Brown" ("She's a Good Skate, Charlie Brown", 1980) sempre foi o meu especial preferido de Peanuts, de longe. A cena clássica, na qual o Woodstock assobia a ária porque a fita quebrou (e está quase engolindo o Snoopy), para que a Patty Pimentinha não seja desclassificada do regional de patinação no gelo, está na terceira parte.
E foi então que eu me lembrei de:
- meu LP de "Pedro e o Lobo", de Prokofiev (que eu ouvia quando criança e ainda tenho);
- um episódio de Tom & Jerry no qual o pianista Tom toca a Rapsódia Húngara n°2, de Liszt e
- de um desenho, acho que da Looney Toons (ou Merrie Melodies), que começa com a primavera na floresta (flores, árvores e animais dançando) e a isso segue uma tempestade horripilante ao som de, creio, a abertura de Guilherme Tell, de Rossini (eu procurei muito pelo título deste desenho e não houve modo de encontrá-lo).
Mas, interessante como foi rever o desenho do Snoopy, há mais. A ópera à qual pertence "O Mio Babbino Caro" se chama Gianni Schicchi, de Puccini. Qual não foi a minha surpresa, já que Gianni Schicchi é um dos rapazes que apavoram lá no Inferno de Dante. Décima e última cava do oitavo círculo, no canto XXX, para ser bem específica. E não é coincidência: Puccini baseou-se em D. para compor. Gianni Schicchi pode ser visto na foto do cabeçalho deste singelo blog, cravando as presas no pescoço de Capocchio.
Começo a suspeitar que qualquer coisa pode ser relacionada à "Divina Comédia"...
Um comentário:
adorei esse post. tanto que fiz um comentário sobre ele no meu blog =)
realmente, as coisas que vemos na infância vão direcionar nosso gosto no futuro. olhando para o passado que a gente vê porque o presente existe.
adorei, adorei, adorei.
e a Doris????
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